sábado, 12 de julho de 2008

Desvida - Desventuras de Quando A Gente Sobrevive

Parte 5: Sobre balé com bolas


Esse fim de semana e o próximo têm jogos de vôlei (vulgo "balé com bolas"). O time feminino ganhou o 7º granpri (ou algo que se fala/escreve mais ou menos desse jeito) e o masculino está caminhando para o 8º titulo, empatando com a Itália na liga mundial. Temos o melhor libero, o melhor bloqueador, o melhor atacante. 5 de nossas jogadoras estão indicadas a premios individuais no torneio. O time de vôlei masculino do Brasil oferece aos telespectadores, apaixonados ou não pelo esporte, um espetáculo e tanto. Quem os vê jogar não quer nem saber mais de vôlei amador, daqueles de escola e talz.


Olhar os meninos do vôlei jogando me leva a fazer uma analogia com a vida. Sabe, aquela coisa deles batalharem o jogo todo e ganharem no final, aquela coisa de o Bernardinho nunca estar satisfeito. No caso, o jogo é a vida e o insatisfeito somos nós.


O jogo (vida) é assim: disputado, porque o outro time quer vencer do melhor. O outro time está alí para, se perder - o que geralmente ocorre - perder de pouco. O jogo é disputado e pode nos levar aos limites, mas ele é ganho. E ganhar significa o que pra nós ? Ganhar pode significar conquistas. Coisas como comprar um carro, passar na universidade, ganhar um gatinho. Qualquer coisa que você tenha desejado de coração por muito tempo e tenha batalhado pra conseguir.


Um empate pode significar três coisas: ou você não conseguiu, ou ainda não conseguiu, ou conseguiu, mas não usufruiu. Jogos de vôlei nunca acabam em empate. Lembre-se que a bola presa é conquista pelo time que der o ultimo empurrão.


É assim que a vida é. Toda vida é melhor, sendo que nenhuma é melhor que a outra. Todas são melhores de maneiras diferentes, mas nenhuma se sobrepõe. É meio aquela história de "o que seria do azul, se todo mundo gostasse do amarelo" e talz. Acredite ou não, o outro time somos nós mesmos. O outro time é o medo, que nos deixa frágeis e sem reação. Mas devemos dar o nosso melhor ! Devemos disputar a bola presa até o ultimo empurrão com os nossos medos. Fazendo isso, podemos ir além de nossos limites imaginários (aqueles que a nossa mente inventa para não alcançarmos nossos sonhos). Fazendo isso podemos aventurar e viver. E não adianta conquistarmos o que queremos e não gostarmos disso, não gostarmos da vitoria.

Sabem o que devemos fazer ? Devemos comemorar cada vitória como uma vitória. Independentemente que ela tenha sido contra seus devaneios ou contra um acidente gravíssimo de trabalho ou carro. Cada vitória é uma vitória cheia de prestígios. Cada uma tem os seus méritos. Cada uma é uma conquista. Devemos, sim, buscar melhorar, Mas também devemos lembrar que mais um degrau se foi. Lá no fim da escada, quando tudo que poderia ser feito já foi feito, quando tudo que poderia acontecer já aconteceu, a gente corre pro abraço.


Mas nunca podemos esquecer que durante a subida, tivemos que fazer muitas escolhas. Tivemos que deixar coisas e pessoas para trás. Tivemos que encarar aquele bloqueio e fazer uma escolha de duas: Explora-lo ou encará-lo. Independentemente da escolha, você subiu todos os degraus. Independente da escada (se foi uma de bombeiro ou uma das que usam pra trocar a lâmpada) - porque a altura não é importante - você chegou até o topo. Você alcançou o que o seu coração queria alcançar.



Lembre-se sempre que melhorar é preciso. Mas só o seu coração vai mostrar se você já chegou ao final da escada. Chegar ao final da escada não significa que você morreu, mas que você já foi até onde poderia ir. E só o seu coração vai sussurrar em seu ouvido que já é hora de correr pra quadra e se jogar num peixinho.

Um comentário:

Juliana Giacobelli disse...

Ahhh, que lindo! *____*
Milhões de imagens passaram pela minha cabeça ao ler esse texto, e se eu disser quais são algumas delas vc vai querer me bater, então, deixo a sua imaginação trabalhar hehe... u.u

=******